Ulysses: quantas traduções até você ter um na sua estante?

maio 22, 2012

Ontem, passando pela Blooks do Arteplex, me deparo com uma nova tradução do Ulysses, para aquela edição dos livros de bolso Penguin pela Cia. das Letras.

Dei uma folheada, parando especificamente no capítulo mais revelador da perícia ou imperícia do tradutor: o ‘Gado do Sol’, que parodia seguidamente vários estilos de época da literatura inglesa.

Minha estante de Ulysses: a edição do Gabler, a em alemão, a do Houaiss, a em russo, a primeira estadunidense, a da Bernardina e a em holandês.

Assim, de primeira, me pareceu boa. Com certeza é MUITO melhor do que a da Bernardina, que um dia já pensei em mostrar em um texto comparativo como é ruim, mas tenho certa resistência a escrever diatribes, além da preguiça.

Mas a questão que me fica é a seguinte: a excelente tradução do Houaiss era o empecilho para que o livro fosse mais lido? Quem recua diante de palavras como “fornido” ou “verdemuco” encararia o Ulysses em outra tradução? Creio que não.

Por que, então, três traduções? As duas últimas no espaço de 6 anos? É certo que as editoras acham que existe demanda. Essa demanda, então, corresponde a uma LEITURA?

Ou nosso mercado editorial vive de fetiche e essas editoras publicam livros para decorar as estantes?

Tanta coisa importante – de tantas línguas! – que não foi traduzida pro vernáculo uma única vez, por não ficar tão bem pegando poeira na estante quanto o Ulysses.

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