Ontem, passando pela Blooks do Arteplex, me deparo com uma nova tradução do Ulysses, para aquela edição dos livros de bolso Penguin pela Cia. das Letras.

Dei uma folheada, parando especificamente no capítulo mais revelador da perícia ou imperícia do tradutor: o ‘Gado do Sol’, que parodia seguidamente vários estilos de época da literatura inglesa.

Minha estante de Ulysses: a edição do Gabler, a em alemão, a do Houaiss, a em russo, a primeira estadunidense, a da Bernardina e a em holandês.

Assim, de primeira, me pareceu boa. Com certeza é MUITO melhor do que a da Bernardina, que um dia já pensei em mostrar em um texto comparativo como é ruim, mas tenho certa resistência a escrever diatribes, além da preguiça.

Mas a questão que me fica é a seguinte: a excelente tradução do Houaiss era o empecilho para que o livro fosse mais lido? Quem recua diante de palavras como “fornido” ou “verdemuco” encararia o Ulysses em outra tradução? Creio que não.

Por que, então, três traduções? As duas últimas no espaço de 6 anos? É certo que as editoras acham que existe demanda. Essa demanda, então, corresponde a uma LEITURA?

Ou nosso mercado editorial vive de fetiche e essas editoras publicam livros para decorar as estantes?

Tanta coisa importante – de tantas línguas! – que não foi traduzida pro vernáculo uma única vez, por não ficar tão bem pegando poeira na estante quanto o Ulysses.

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О Королеве

abril 5, 2012

Nunca sua revelação a ignora, mas

Quando flanam sobretudos sob o plenilúnio,

É claro que a merece.

O

No fluxo de gás barato do seu bairro

Destaca sua harmonia da sombra

E nós, esfumados rápidos no contorno

Louvamos com gargantas de crianças

Nossa rainha de casa cheia

Nossa moça do alfinete no semblante

O

(Lendo isso, já ouço a banda fazer seu show

A luz pula do palco ao mar

Como um quadro em casa de marionetes)

O

Erramos de alma pra quando ela chegar

Para a garganta que a esconde do golpe no penhasco

Fila alerta de metal dançando, há coruscância

O

No período que antecede ao exílio, a circunstância

Te planeja de sobra, doce rainha

Presença instantânea do Grande Espírito

Brilho esquivo alastrado, sarabandas na sarjeta.

Num milagre que já basta, é o rastro,

Arauto e mecenato necessário

Pintado em aquarela na folha de um poema

O

Mas me atropelo no que antecipo:

Rainha, teu regalo o legado permitiu

A doença me apodera

Surges da névoa extrema que, venérea,

Brota e escapole pela boca de suas botas.

O

Quem se lembra, menciona-te a ternura

Nua com nós todos; todavia, um dia da fome

Agora ergue das trevas em seu sustento

Pernas dinásticas em cruzada internacional

O

Quem vai retirar do ventre o bebê de seu consorte

Do fundo do enlamento evade um gemido,

O estado de graça que se esquece quando nasce.

Na dobra se descobre um absurdo:

Diz-se a mãe de quando a mulher morre

Queria ver seu nome anunciar a ungida,

Nossa cálida rainha do Mundo Real.

O

Na vizinhança dos meus motivos há colada uma varanda

Um ponto chuvoso de encontro.

Pedindo assim perdido, uma hora ela chega

Sob céus negros de roupa suja, montada num alfanje,

Invade a sala cor oliva de espera

Tectônica, sincrônica a um ser remoto

Aporte desesperto no fulgor dos grandes,

Ela vira meu rosto distraído pela mão

– A pétala da palma na flor dos meus remorsos! –

Aponta-me a falange esmaltada e diz:

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O

O Que Disse a Rainha

O

“Largue essa criança,

Cemitério de horizontes!

Largue essa criança,

Quase com tanta fome

Que o derrubo por um homem!”

O

Só depois de morto seu povo, percebe-se

Que um de seus olhos era desenhado no rosto

Melhor amarela de madeira do que já vi desde sempre

Não mais que a impressão da sombra

De uma vassoura apoiada naquela tora.

O

“Eu a quero esmagada, com bile trinchada

Diante de mim. Agora!”

O

Nitrogênio

abril 3, 2012

Imagem

O que você quer quando eu quero dizer?

|

Pisa em sua altura,

Esse vulto se esconde sem ter onde

Um vagando ainda de saber possível.

|

Quem te revela sob os mesmos fatos?

Num instante dura

Encostada nua pelas pétalas,

Diluindo num copo a seiva perfumada.

|

Não duvido: onde o vidro vibra, não há brilho

Muito menos pausa:

|

Exercendo-se na sombra, atravessa exata

A vida que passa e acontece, e faz 40 anos

Que tirei você da sarjeta ao acaso

|

Fomos ficando especiais

Um pro outro, vez por uma

E te plantei no raso.

Peixes Frustrados

abril 3, 2012

Imagem

O chafariz longamente pescado

Já está almoçado, calamar na frigideira

Soltou tinta pela penumbra de fúria

Todos partindo, um cardume contra o Peixoto.

 

Pois bem, esse chafariz explicou que era instantânea

Cria do pecado: cuspiu no olho

Dum coitado, operando amigo da Corrente do Golfo

Em altíssima velocidade. De repente

O ponto de fuga, ao olhar momentosa para a frente

Cresceu como uma torta no gosto dela.

 

Estica as bandeiras agrestes na névoa

Em alta definição. Limite fincado de tua festa,

 

Todos partindo destino a Rebuliço,

Cidade em março distante da porta

Onde escora defronte quem mora, afoga

E se importa com isso.

(…) Vou repartir contigo um pensamento que tive medo de perder assim que o tive. São vários itens que se complementam. Eu estava esperando meu tempo de aula começar, e fui comer num canto escuro da faculdade. Pensei que só por estar num sistema controlado poderia me aventurar num canto desses, dada a violência de nossa cidade. É uma pena que não possamos ter mais dessas experiências, ficar sozinho como um bicho no escuro degustando sua comida.

Primeiro item, a nossa diferença em relação aos animais. Aquela coisa de sermos animais com mundo, de que o Heidegger fala (na esteira de Hegel) nós precisamos criar nosso mundo e nossas habilidades, ao contrário dos outros animais. Acho que o mito de Prometeu e Epimeteu é sobre isso. Enfim, os animais se satisfazem tendo o que comer, beber e com quem se reproduzir. Suas necessidades, transpostas para o homem, seriam plenamente satisfeitas com facilidade, dada a quantidade de alimento que podemos produzir.

Aí pensei naquela famosa metáfora de Bergson, em “A Evolução Criadora”, sobre como provavelmente surgiu a inteligência no ser humano. Só tenho o texto digitado em espanhol, mas acho que dá pra entender:

“La misma impresión se desprende de una comparación entre el cerebro del hombre y el de los animales. La di-ferencia parece, en primer lugar, no ser otra cosa que una diferencia de volumen y de complejidad. Pero debe haber algo más, a juzgar por su funcionamiento. En el animal, los mecanismos motores que llega a montar el cerebro, o, en otros términos, los hábitos que su voluntad contrae, no tienen otro objeto y otro efecto que realizar los movimientos dibujados en estos hábitos, almacenados en estos mecanismos. Pero, en el hombre, el hábito motriz puede tener un segundo resultado, inconmensurable con el primero. Puede entorpecer otros hábitos motrices y, con ello, reprimiendo el automatismo, puede también poner en libertad la conciencia. Se sabe qué amplios territorios ocupa el lenguaje en el cerebro humano. Los mecanismos cerebrales que corresponden a las palabras tienen de particular que pueden ser puestos en contacto con otros mecanismos —por ejemplo, los que correspon-den a las cosas mismas—, o también ser puestos en con-tacto unos con otros: durante este tiempo, la conciencia, que ha sido arrastrada y sumergida para el cumplimiento del acto, se rehace y se libera.

La diferencia debe ser, pues, más radical de lo que haría creer un examen superficial. Es, sin duda, la que se encontraría entre un mecanismo que absorbe la atención y un mecanismo del que podemos apartarnos.

La máquina de vapor primitiva, tal como la había concebido Newton, exigía la presencia de una persona exclusivamente encargada de las llaves de paso, bien para introducir el vapor en el cilindro, bien para llevar a él la lluvia fría destinada a la condensación. Se cuenta que un niño empleado en este trabajo, y muy fatigado de él, tuvo la idea de enlazar las manivelas de las llaves de paso, por me-dio de cordones, al volante de la máquina. Desde entonces la máquina abría y cerraba sus llaves de paso por sí misma; funcionaba sola.

Ahora bien, un observador que comparase la estructura de esta segunda máquina a la de la primera, sin ocuparse de los dos niños encargados de su vigilancia, no encontraría entre ellas más que una ligera diferencia de complicación. Es todo lo que puede percibirse, efectivamente, cuando sólo se mira a las má-quinas. Pero si se lanza una mirada a los niños, se ve que el uno está empleado en su vigilancia, en tanto que el otro es libre de divertirse a su antojo, y que, por este lado, la diferencia entre las dos máquinas es radical: la primera retiene cautiva la atención; la segunda prescinde de ella. Es, a nuestro entender, una diferencia análoga a la que se encontraría entre el cerebro del animal y el cerebro humano.”

Ou seja, graças a um processo que permite que certas funções básicas de sobrevivência cuidem de si mesmas, o cérebro pôde, por “diletantismo”, chegar a processos mais complexos de tentativa e erro que acabaram dando na inteligência, na linguagem etc.

Aí pensei nos mendigos, que agem mais ou menos como animais: não passam a vida toda se preparando para gastos cada vez maiores com objetos de ambição. Eles (em alguns deles, pelo menos, eu vejo claramente) reduzem sua ambição àquela dos animais, para fruir do tempo restante com coisas que mais os interessam.

Por que não podemos ser assim? Quer dizer, numa sociedade em que essa “saciedade” fosse privilegiada, teríamos a tecnologia a nosso favor, e (ao contrário do paraíso consumista, que é inacessível a toda a humanidade ao mesmo tempo) poderíamos facilmente produzir as condições de subsistência suficientemente indiferenciada (lembrei logo da ‘ração humana’) para todos.

Quando pensei em “tecnologia” me deu o estalo: de certa forma, isso ESTÁ acontecendo! A tecnologia está possibilitando os meios para uma revolução igualitária. Não nesse tipo de subsistência, mas na área da informação. A ciência está nos fornecendo a base para que todos busquem não o que desejam possuir, mas o que desejam conhecer. Retomando uma teoria de Adorno sobre o ‘esclarecimento’ (de forma pouco ortodoxa, admito) podemos encarar o possuir e o conhecer como opostos, daí a possibilidade desse campo novo se abrir sem que o capital se desse muita conta. A “monetização” dos sites, reengenharia para ganhar dinheiro com algo que fez sucesso online, é a percepção tardia dessa realidade e a tentativa de cooptá-lo. (…)Curva de Hilbert.

Adoro Mãos

fevereiro 11, 2011

Esmerágua vagou nos seus olhos
E de um largo abraço te perdi.
Agora são vagas também no arroio
Mascaradas palavras, aturdidas
Que vão pelo barroco tardio.
E do que mais sei que vou lembrar

It's gonna be a long night.

São tuas amplas mãos. Adoro mãos.
Os polegares saltando obliquamente
Em vários ângulos da palma,
A extensão ondulante de cada
Dedo aos outros a partir de
Mesmo ponto, um rastro de luz
Branca por palavra, a tinta fluida,
Expandida e gadunhada em cada
Expressão. Um por um, dez traços
Vão embora, acenando à memória
Espelhos perfeitos através do abismo.
(1992)

Fuscum Subnigrum

janeiro 31, 2011

Duas límpidas águas do teto em ogiva levam a acústica ao miolo dos ouvidos passilentes, por várias nuanças de creme e branco areados. Castiçais castecidos adornam os flancos do altar que ao centro ostenta uma cruz, esfumante no desenho de parede pintada logo acima, surgerindo gradual por relevo baixo a esculposa nuvem-maria, vinda equilibrada à frente, mãos saindo raios e túnica de resplendor.

Abas lambentes, as alas levantes à nave sustentam com lisos cilindros seus capitéis. De uniforme combinante, os sentinelas das memórias futuras carregam flashes e escorregam fios nos perímetros que esperam ninguém pise.

A partir de mirante mezanino de jacarandá, ela conhece de outras olvidades um panorama assim ambiente. Escada caracol rangendo a qualquer peso, coleante ao lado. Paralelas tábuas levam à grade em hastes como gotas escorrentes aos fios, em grossa marrom calda. Passageira dessa inteira moledura, atalaia a soprano, acima e trás da cena em refulgor. Vultuosa em suas costas, mãos ao longo do vestido tendente ao chão.

Os convidados chegam aos pares, trios, aos meio-trios (com apenas criança, crianças) mas poucos demais pro gasto que se teve com canto-e-órgão, flores, arrumadores de carpete. Ela vê as gordas senhoras ciscando lugar entre os prudentes primeiros a sentar. Ensaia apenas mentalmente um vocalise. O padre ainda não deu o ar de sua plena graça: é de seu hábito delegar, desdobrigar-se em prol das irmãs e beatas, diligentíssimas no cuido patrimonial de qualquer propriedade que lhes caia nas ralas pias mãos. Quando é alguém externo à paróquia a cobrar pelos serviços canoros, o quanto essas não estridulam, vendo suas comissões esboroaçarem embora na abóbada celeste!

Ao lado, pelas bordas janelas, um relance do salão de frestas traz o serelépido bailado das damas honorárias, livres do ensaio posicional por um momento infantil.

De novo ao centro a atenção é logo acesa, mais claridade contínua traz em magnésio o início da filmagem. A noiva chegou, deduz a soprano. Quase incontido por um ou outro matiz hidráulico dos azulejos de base e a madeira de lei que ressoa aos pés sobre seus saltos no plano monádico acima, o deslumbre elétrico é mais cheio que mesmo o ar, e os leves tons puxam de seu peito impostado a emergente urgência do rasgar primeiro.

Só então cai de mãos, cravado no silêncio, o anacruz acorde. E da voz se susprende ao plano simétrico amplo, fundo da grã-alvura, uma diagonal pincelada negra.

Ontem estava lendo sobre o ‘autômato’ “The Turk”, criado no século XVIII, e apresentado como uma máquina que jogava xadrez. Poe escreveu um ensaio sobre ele intitulado “Maelzel’s Chess Player” quando Maelzel – seu dono, na época – estava em turnê pelos EUA.  O ensaio apresentava uma hipótese para o que realmente fazia o “robô” funcionar – uma pessoa escondida dentro dele. Apesar de errar exatamente onde a pessoa se encontrava, Poe acertou.

Fui ler sobre isso porque queria rever um aparelho que passou por nossa casa quando eu era criança, emprestado por meu tio Mário, que sempre foi meu tio preferido (um dia eu conto mais sobre ele). Tratava-se de um Fidelity Chess Challenger, o primeiro computador portátil que jogava xadrez. A internet é mesmo ótima – não preciso descrevê-lo, alguém filmou um igual ainda em funcionamento:

Aliás, também dá pra mostrar como o “Turk” era. Não o original, que foi destruído num incêndio, mas uma réplica:

A minha questão a princípio era como o artificial não tem nada a ver com a tecnologia, quer dizer, não é porque hoje a tecnologia é mais sofisticada que as coisas necessariamente são mais artificiais. O Chess Challenger é um autômato que joga xadrez, mas é um jogador artificial natural. Já o Turk era um jogador artificial… artificial, porque havia um jogador de verdade dentro dele.

Só que a coisa se complicou – eu descobri que o nome “The Turk” hoje em dia serve para alcunhar outra coisa, também chamada de inteligência artificial artificial: o Amazon Mechanical Turk.

Há coisas que ainda hoje um computador não pode fazer, embora jogar xadrez não seja mais uma delas. Isso é um inconveniente, porque um trabalhador humano acarreta problemas éticos para uma firma (obrigações inerentes à vida humana como adicionais de insalubridade, seguro desemprego etc.), além de ser mais imprevisível do que uma máquina – a qualidade de seu trabalho pode variar dependendo de seu estado emocional, por exemplo.

O modo como o AMT utiliza humanos não mais busca criar a ilusão de que a máquina funciona por si, mas outra ilusão: a de que o ser humano pode ser tão confiável quanto ela, aproximando ao máximo o funcionamento dos dois.

As pequenas coisas que apenas o ser humano pode fazer (chamadas de HIT – Human Intelligence Tasks) são isoladas de seu contexto, apresentadas numa interface simples (só se precisa clicar na opção e enviar) e recompensadas com aproximadamente dois centavos de dólar cada. Você pode experimentar esse funcionamento no site. A que eu vi era olhar para uma foto e dizer se o que uma modelo estava usando era um maiô, um biquini ou uma roupa de passeio.

Diziam que as máquinas libertariam o ser humano para perseguir seus sonhos. Hoje em dia vemos como isso depende de qual ser humano. Como na primeira página do AMT está bem evidente, o mundo se divide entre os usam as máquinas para isso e os que são usados por elas. E a internet ocupa nesse uso, mais uma vez, um papel fundamental.

Partido da Honestidade

maio 18, 2010

Imaginem um partido que resolva fazer o seguinte: impedir qualquer de seus integrantes de ganhar dinheiro com a política.  O salário, as comissões e tudo o mais teriam de ser entregues ao partido, que discriminaria tudo na internet e pagaria ao político um pró-labore de uns 5 salários mínimos. Talvez o partido confiscasse até os bens do candidato, seria algo como um monastério com voto de pobreza e visibilidade geral do público.

E mais – o compromisso, lavrado em cartório, de perder tudo o que tem se por alguma razão se desligar ou for desligado do partido enquanto estiver no poder.

Quem não votaria num partido desses? Ganharia tudo que é eleição!

Hold a drinking glass up t' your eye after you've scooped up a little of the sky 'n it ain't blue no more.

Hold a drinking glass up t' your eye after you've scooped up a little of the sky 'n it ain't blue no more.

Garoa garrou a garota certinha,

Tatuada até o côco numa onda

Tamanha. Se o fígado sai com bile,

O fôlego de festinha redonda

Entorna garganta de anaconda

E curte sangue, tapa na cara

Morrer ‘dorando violetamente,

Fosse possível a posse de como é.

Entretanto, mais que saber, pressente

Baque qualquer que a vida lhe der:

“De colher na bandeja, baby

“Negócio monsenhor, baby

Peito empinado entre costeladas

Empapadas de extra-virgem azeite

Sacrifica o Royal Flush mais straight

Ocupada com tudo que tem na mão

Tanto emagrecida que a pele macia

Ao toque cede mesmo sob casacão.

O ar envolve tudo como água sob o vidro

(Seja nêgo Dito, dragão Zito, diabo Nito)

Cabine expande; Giane com outro nome,

Teus rios serpeiam entre sinais

De mergulho num delta navegável

Por corsários sob o corset que aperta

E pensar que uma anarquiimiga

Brotaria distante da costa.

Olhar de boa tarde campeia na

Idéia aracnídea, cirros em rebanho

Saúdam da audácia a ilha surgida

Para quente agulha riscar agrados

Doridos no solo sagrado. Andando

Adianta o passo uma perna, os traçados

Da outra voltam ao passado.

Tu vens aqui pra cima dessas nuvens,

O céu preto de tão azul lembrou-te

Aind’ando assim tão longe da noite.

Decida, broto, entre aparecer na certa

Ou sumir da jatela que em ti assisto

O sangue pisado de uma sereia

Sufocando sob plástico na canela.